ANASO realizou o segundo Workshop Nacional de Gestão da Resposta da Saúde Comunitária sobre SIDA, Tuberculose e Malária em Angola que decorreu sob o lema "Da Comunidade Para a Comunidade: Juntos contra a SIDA, Tuberculose e Malária".
O Presidente da ANASO, Dr. António Coelho, afirmou durante o Workshop que as Organizações da Sociedade Civil(OSC) estão a prestar serviços essenciais e a alcançar aqueles que não têm acesso ao sistema de saúde no país. Descreveu também que as OSC monitoram os serviços, promovem a responsabilidade pelos resultados, defendem as mudanças necessárias e informam os esforços que permitem com que os serviços sejam centrados nas pessoas. Mas, infelizmente a situação da Saúde Comunitária em Angola, está difícil e complicada, sobretudo porque o engajamento das comunidades não é valorizado e o investimento financeiro para implementação das acções comunitárias é muito limitado e estes dois cenários estão a comprometer os esforços para uma saúde comunitária resiliente e sustentável.
Preocupada com o fortalecimento da resposta comunitária, à ANASO, com o apoio do Fundo Global, através do Mecanismo de Coordenação Nacional, realizou de 27 a 28 de Março , aqui no Hotel Don Gal, em Luanda, o segundo Workshop Nacional de Gestão sobre a resposta comunitária à SIDA, Tuberculose e Malária em Angola.
Este Workshop teve como objectivo: Contribuir na Gestão da Resposta Comunitária a nível destas três doenças, tendo como base a análise do contexto, a identificação dos desafios, o estabelecimento de estratégias, o reforço de parcerias e a definição de um roteiro.
O Workshop Nacional, contou com a participação de 60 participantes, provenientes das 18 províncias do país, que estão a representarão os sectores da Sociedade Civil, Público e Privado, Agências das Nações Unidas e outras Organizações e Agências de Desenvolvimento Comunitário e que durante dois dias partilharam o trabalho comunitário que está a ser feito a nível do país e encontrar caminhos para dar resposta aos diferentes desafios da saúde comunitária em Angola, numa altura em o país está a trabalhar numa proposta de política nacional e de um PEN sobre saúde comunitária, instrumentos que vão regular às ações sobre saúde comunitária em Angola e do qual as OSC fazem questão de contribuir no seu desenho, para que estes documentos possam refletir os anseios dos diferentes actores comunitários.
A saúde comunitária é reconhecida como uma abordagem fundamental para fortalecer os cuidados primários de saúde e acelerar o acesso da população aos serviços essenciais de saúde e alcance dos objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
António Coelho descreveu a necessidade de trabalhar na resposta hospitalizada, criando mais hospitais e formando mais técnicos de saúde, mas sobretudo começando a apostar na saúde preventiva, fundamentalmente através de ações de informação e educação para a mudança de comportamento.
O Presidente da Rede ANASO alertou a importância de criar condições para reduzir o fardo hospitalar e apostar mais nas intervenções de alto impacto, com foco na prevenção das doenças.
Dr. António sublinhou ainda que Angola é um país de alta transmissão da Malária e a Malária representa cerca de 29% das causas de procura de cuidados de saúde e 45% das mortes registadas entre crianças menores de cinco anos. A Tuberculose apresenta uma morbi-mortalidade relativamente alta com uma taxa de incidência de 200,6 por 100 mil habitantes e Angola é um dos dez países mais afectados do mundo. A nível da SIDA, a prevalência do VIH é de 2%, uma taxa que se regista já há mais de dez anos.
A nível da região, o Presidente da ANASO afirmou que Angola regista maior número de novas infecções, fundamental em crianças dos zero aos catorze anos de idade.
As determinantes sociais de saúde, continuam a ser o grande problema no sucesso das ações de saúde, com destaque para a pobreza, 31%, acesso a água potável, 53% e a taxa de analfabetismo, 41% .
António Coelho é optimista e acredita que os resultados do próximo inquérito de indicadores múltiplos de saúde , apresentarão uma fotografia mais real da situação, bem como a expansão do SIS comunitário a nível do país e integrado no sistema de informação de saúde.
O Magnata da Rede Anaso, acredita que se o país conseguir aproveitar melhor e apoiar mais os actores comunitários, como os Adecos, 2,300, e os Agentes Comunitários de Saúde afectos às OSC, 22.500, o país poderá construir novas oportunidades e melhorar as intervenções comunitárias.
Dr. António não descartou a possibilidade de afirmar que as OSC precisam de mais apoio para continuarem a fazer toda a diferença. O Governo e a Sociedade em geral devem contribuir com pequenos fundos para garantir a sustentabilidade da resposta comunitária .
O atual cenário mundial é de crise, marcada pela redução de fundos e definição de novas estratégias até 2030.
A ANASO é uma resposta inter Organizações de mais de 28.350 activistas contra os problemas da SIDA, TB e Malária em Angola.